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PCASP.com.br Contabilidade aplicada ao setor público · Santa Catarina

Análise de balanço

O balanço público responde a perguntas que o orçamento não responde.

Um município pode fechar o exercício com orçamento equilibrado e, ao mesmo tempo, ter consumido patrimônio, deixado de provisionar férias, gasto recurso de convênio em outra coisa e não depreciado nada. Nada disso aparece no Balanço Orçamentário. Tudo isso aparece aqui — se você souber onde olhar.

Por onde começar

Seis perguntas, nesta ordem

Quem lê balanço público de cima para baixo se perde. Quem lê por perguntas encontra. É esta a sequência que um analista de controle externo percorre.

  1. O balanço fecha?Total do ativo igual ao total do passivo mais o patrimônio líquido. Se não fecha, pare aqui: o resto não é confiável.
  2. Há caixa para o que se deve no curto prazo?Compare caixa com passivo circulante — e depois refaça a conta por fonte, que é a única leitura que vale.
  3. O superávit financeiro por fonte tem alguma linha negativa?Fonte negativa significa recurso vinculado gasto em outra finalidade. É o achado mais grave que um balanço pode revelar.
  4. Existem provisões?Férias e décimo terceiro incorridos e não pagos. Saldo zero em município com folha significativa não é eficiência: é omissão, e superestima o patrimônio líquido.
  5. O imobilizado varia?Se o valor é idêntico ao do ano anterior, não há depreciação. O ativo mostrado não existe mais na proporção informada.
  6. O patrimônio líquido cresce ou encolhe na série histórica?É a resposta final: a gestão construiu ou consumiu patrimônio? Nenhum outro demonstrativo responde a isso.

Anatomia do Balanço Patrimonial

Quatro quadros, não um só

O Balanço Patrimonial do setor público não é o da empresa. Ele tem quadros que existem só aqui — e é num deles que se decide quanto de crédito adicional pode ser aberto no ano seguinte. Clique em qualquer linha para ver o que ela é, o que faz o número mexer e qual o sinal de alerta.

Indicadores

Quatro contas que você faz de cabeça

Calculados a partir dos números do quadro acima. Servem para orientar a leitura, nunca para substituí-la.

1,64
Liquidez corrente
Ativo circulante dividido pelo passivo circulante.
Abaixo de 1,00 o ente não tem, no curto prazo, com que honrar o que deve no curto prazo. Mas cuidado: um número confortável some quando se olha por fonte.
0,81
Liquidez imediata
Só o caixa, dividido pelo passivo circulante.
É o indicador mais honesto do balanço público, porque não depende de receber dívida ativa. Abaixo de 1,00 significa que pagar tudo hoje exigiria arrecadar antes.
25,3%
Endividamento
Passivo total sobre ativo total.
Mostra que parcela do patrimônio está comprometida com terceiros. A leitura isolada diz pouco; a série histórica de cinco anos diz tudo.
78,7%
Imobilização
Imobilizado sobre ativo total.
Alto é normal em município, que é dono de escolas, postos e vias. Vira problema quando cresce sem que o serviço melhore — patrimônio parado consome manutenção e depreciação.
Os valores desta página são um exemplo didático, construído para que os quatro quadros fechem entre si — o ativo bate com o passivo, financeiro mais permanente bate com o total, e a soma do superávit por fonte bate com o quadro anterior. Substitua-os pelos números do seu ente no painel para transformar esta página numa leitura do seu próprio balanço.

Resultado primário e nominal

Dois números que medem coisas diferentes

São constantemente confundidos. Um mede o esforço fiscal do exercício; o outro mede o que aconteceu com o endividamento.

Resultado primário

Mede se o ente se sustenta com o que arrecada, ignorando a conta de juros. Responde: a gestão gerou ou consumiu caixa antes do custo da dívida?

Receitas primárias − Despesas primárias
  • Fora da conta, nas receitas: aplicações financeiras e operações de crédito
  • Fora da conta, nas despesas: juros, encargos e amortização da dívida
  • +Superávit primário: sobra antes dos juros — folga para pagar a dívida
  • Déficit primário: nem o custeio se paga sozinho

Resultado nominal

Mede a variação do endividamento líquido no período. Não olha receita e despesa: olha o estoque da dívida no começo e no fim.

DCL final − DCL inicial
  • =DCL = Dívida Consolidada − disponibilidade de caixa e haveres financeiros, líquidos de restos a pagar processados
  • Resultado nominal negativo: a dívida líquida caiu — o ente se desendividou
  • +Resultado nominal positivo: a dívida líquida subiu
  • !O sinal é contraintuitivo: aqui, negativo é boa notícia
Onde os dois aparecem: no mesmo demonstrativo do RREO. É o anexo que a imprensa lê quando quer manchete e o que o Tribunal lê quando quer tendência. Um município pode ter superávit primário e, ainda assim, resultado nominal positivo — basta ter feito operação de crédito no período. Os dois não se contradizem: medem coisas diferentes.

Anexos obrigatórios

Que pergunta cada anexo responde

Decorar o número do anexo não ajuda. Saber que pergunta ele responde, sim — porque é assim que o conselheiro lê.

Lei 4.320/1964 e MCASP

Lei 4.320 — Anexo 12

Balanço Orçamentário

“O que foi previsto se cumpriu?”

Confronta previsão e arrecadação da receita, dotação e execução da despesa. É o anexo que denuncia orçamento superestimado — prática comum para acomodar emendas que nunca terão lastro. Leia a coluna de diferença antes da de execução: é ali que a superestimativa aparece.

Lei 4.320 — Anexo 13

Balanço Financeiro

“Por onde o dinheiro entrou e saiu?”

Reúne ingressos e dispêndios, orçamentários e extraorçamentários, mais o saldo do exercício anterior e o que passa para o seguinte. É onde a caução aparece, ainda que não seja receita — e onde se confere se o saldo que passa para o ano seguinte bate com o caixa do Balanço Patrimonial.

Lei 4.320 — Anexo 14

Balanço Patrimonial

“Qual a situação do patrimônio hoje?”

Os quatro quadros analisados acima. É o único demonstrativo que fala de estoque; todos os outros falam de fluxo. Por isso é o único que responde se a gestão construiu ou consumiu patrimônio.

Lei 4.320 — Anexo 15

Demonstração das Variações Patrimoniais

“Por que o patrimônio líquido mudou?”

Confronta VPA e VPD e apura o resultado patrimonial do período. É o demonstrativo mais ignorado e o mais revelador: mostra o custo real da máquina pública, incluindo depreciação e provisões que o Balanço Orçamentário não enxerga.

Lei 4.320 — Anexos 16 e 17

Dívida Fundada e Dívida Flutuante

“Quanto o ente deve, e em que prazo?”

Fundada é a de longo prazo; flutuante é a de curto — restos a pagar, consignações, depósitos. Juntos dão o retrato do endividamento que o Balanço Patrimonial mostra de forma agregada.

MCASP

Fluxo de Caixa e DMPL

“O caixa vem da operação ou de dívida?”

A DFC separa os fluxos operacional, de investimento e de financiamento. Caixa positivo sustentado por fluxo de financiamento é o padrão clássico que antecede crise fiscal — e que nenhum outro demonstrativo mostra com essa clareza.

Lei de Responsabilidade Fiscal

LRF — RREO

Resultado Primário e Nominal

“O ente se sustenta? Está se endividando?”

O primário mede o esforço fiscal ignorando juros; o nominal mede a variação da dívida líquida. Um município pode ter superávit primário e resultado nominal positivo ao mesmo tempo — basta ter contratado operação de crédito no período.

LRF — RGF

Despesa com Pessoal

“Estamos dentro do limite?”

Confronta despesa com pessoal e Receita Corrente Líquida, contra os limites de alerta, prudencial e máximo. É o anexo que mais gera alerta formal de Tribunal de Contas, e o que mais depende de classificação correta — terceirização que substitui servidor entra na conta.

LRF — RGF

Disponibilidade de Caixa e Restos a Pagar

“Há dinheiro para o que ficou devendo?”

Confronta, por fonte, a disponibilidade de caixa com as obrigações a pagar. No último ano de mandato deixa de ser informativo e passa a ser tipo penal — art. 42 da LRF. É o demonstrativo que nasce do controle de DDR da classe 8.

LRF — RGF

Operações de Crédito e Dívida Consolidada

“Cabe mais dívida?”

Apura a Dívida Consolidada Líquida contra a RCL e os limites do Senado. É a base do resultado nominal e o demonstrativo que trava — ou libera — novas contratações.

A numeração dos anexos do RREO e do RGF acompanha a edição vigente do Manual de Demonstrativos Fiscais e já mudou entre edições — confirme contra o MDF do exercício antes de citar número de anexo em documento oficial.